Eu, aqui dentro de um carro, com um papel, caneta Bic azul meu celular e suas música, vindo da praia… Realmente a praia não é mais tão divertida, pra quê saudades? Pra que o outro lado dela? Eu realmente nem sei. Mas o que me diverte um pouco agora é que cada vez que escrevo as letras saem muito rabiscadas, erradas e sem uma certa sintonia. Na maioria das vezes pra falar a verdade pego esse meu papel e essa mesma caneta, o papel não tem como ser o mesmo, mas e a caneta? É igualzinha e a mesma. Nesse momento parei de escrever pois meus pais decidiram ir para uma lanchonete.
Então… voltei e me molhei no estacionamento. Chuva me lembra quando tomamos banho de chuva juntos. Daqui a alguns minutos nós iremos entrar na free way, e daí? E eu queria estar viajando nela contigo. Mas esses plano… Vão se tornar reais?
Como é torturante ficar dentro de um carro nesse “nosso” dia. É horrível, tenho vontade de sair correndo direto pra estrada do mar e te achar na cidade onde estás. Não tenho motivos pra não fazer isso, só tenho pra fazer. E agora, esse engarrafamento? Carros, ônibus, caminhões e essa chuva. Tudo perfeito, vidros fechados, cobertor, ar condicionado e você? Por que não está comigo? Nem tenho como te ligar. Nem tenho como te ver. Não sei quando vou te ver.
Meus pensamentos estão sempre em ti. Na boa e na ruim. Penso; “O que será que estaríamos fazendo se ela estivesse aqui?”. Aproveitando esse dia. Nosso dia, mas nem é pelo nosso dia, é pela minha vontade de viver contigo. É pela minha vontade de te fazer feliz. Eu prefiro muito mais a felicidade tua do que a minha. Sou assim, com certeza aprendi isso com o meu pai. Pelo menos nesse engarrafamento as letras saem um pouco mais em sintonia. Estão mais retinhas, menos tremidas.
Tremer nosso amor não é nada bom. Por isso prefiro esse engarrafamento do que chegar em casa e fazer o que faço sempre; ligar o computador. Cansei disso. Preciso viver fora dele. Obviamente devo muito, muito mesmo a ele. Mas agora sem querer ficar muito tempo nele, sem ter o que fazer nele vejo que preciso ter atitude. Não sei dividir computador e atividades longe de ti. Só o desligava quando era pra sair contigo.
Tenho muito o que falar, mas tenho muito o que viver. E nele nós só vivemos um pouquinho.
Uma das coisas mais gratificantes que eu já recebi foi o teu sorriso. Na chuva, lembra? Lembrei disso agora. Engarrafamento de trânsito me faz pensar um pouco mais nas memórias um pouco mais distantes, boas memórias. A chuva me traz uma paz. Um clima bom que amo sentir. O cheiro de terra molhada, o tempo úmido, as pessoas tentando fugir dela, poças da água, meu reflexo nela…
Minha irmã está me olhando com uma cara de; “Que retardado com esse papel e essa caneta”. Bom, depois isso vai pro computador. Na verdade eu nem sei se vai. Um rascunho as vezes é muito mais significativo. Mas enfim… Eu estou louco pra te ter. Pelo teu sorriso, pelo teu desprezo quando tu me chama de retardado como minha irmã.
Um dia espero que as coisas se tornem realmente como planejamos. Planejamento as vezes é bom. Mas temos que correr atrás não é? Falar e falar não adianta. Estou tentando pelo menos dar um passo a frente. Nem que for passo de formiga. Ou vôo de galinha que não é tão longo. Mas vou correr atrás. A vida ensina isso, pra todos. Mais cedo ou mais tarde aprendemos isso. Aprendi hoje com 16 anos.
Se o meu sentimento, meus planos, minha vida, minha respiração, meu amor, meu coração é tudo que tu quer, é tudo que tu buscou… Abre um pouco mais os olhos, temos que ir pra frente. O passado já foi o presente passa num segundo e o futuro chega no segundo depois.
Realmente estou em paz comigo mesmo. Um fone de ouvido, Fresno nele, papel e caneta. Na distância pra mim isso é perfeito. E agora, o que eu faço?